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E scandaloso. É assim que investigadores e profissionais de saúde consideram o aumento de 5% do número de vagas nos cursos de Tecnologias da Saúde no concurso de acesso ao Ensino Superior deste ano. Alegam que os estudantes e as suas famílias estão a ser enganados porque o número de cursos e alunos aumentou 238% e 471%, respectivamente, nos últimos nove anos. Segundo as previsões, até 2010, cerca de 50% dos profissionais deverão estar no desemprego. Revoltados, aqueles profissionais vão reunir com José Sócrates, no próximo dia 9, para dar-lhe conta do "descalabro" que afirmam existir no sector.
"Isto é escandaloso, estamos a formar entre quatro a cinco vezes mais profissionais de cuidados de saúde do que realmente precisamos", revelou ao JN Almerindo Rêgo, profissional de saúde e presidente do Sindicato das Ciências e Tecnologias da Saúde.
Segundo aquele responsável, a ausência de auto-regulação fez com que o mercado do ensino das tecnologias de saúde se convertesse no mais apetecível do ensino da saúde e no mais atractivo em termos de Ensino Superior.
"Devia-se parar para repensar a formação que está a ser feita. Sem uma avaliação de todas as escolas não deveria haver um aumento dos contingentes como houve agora. Isto é um perfeito disparate, estamos a enganar os jovens e as suas famílias, que são obrigadas a gastar por vezes cerca de 800 euros por mês para terem os filhos a estudar", salientou.
Almerindo Rêgo disse que a situação vivida no sector é do conhecimento do Ministério da Ciência e Ensino Superior, a quem foi entregue um estudo elaborado por Jorge Conde, professor coordenador da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra.
No referido estudo, intitulado "O Ensino da Saúde em Portugal - O Escândalo instalado nas Tecnologias da Saúde", Jorge Conde afirma que "o ensino da área das tecnologias da saúde serve para manter a funcionar escolas privadas e públicas que nasceram sem condições humanas e materiais para leccionar cursos nestas profissões".
Jorge Conde recorda que, em 1993, existiam em Portugal apenas quatro escolas a dar formação na área das tecnologias da saúde. Contudo, em 2005 o número era já de 29 estabelecimentos em todo o país. Este aumento em flecha é justificado "por não existir auto-regulação e, logo, por não existir controlo, fiscalização e definição da rede escolar".
De acordo com o estudo, entre 1997 e 2005, foram criados mais 74 cursos, o que representa um aumento de 238%. "Se a evolução do número de cursos é já de si bastante elucidativa, quando lhe juntamos a análise do número de alunos admitidos o descalabro é evidente", refere o documento. Assim, entre 1997 e 2005, o número de alunos admitidos aumentou 471%.
Jorge Conde salienta, ainda, que o mesmo nível de aumento não se verificou em outros sectores da saúde - como enfermagem e medicina - "onde, supostamente, a julgar pelas declarações públicas dos responsáveis existe falta de profissionais". A título de exemplo, refere o caso dos cursos de enfermagem, que viram as vagas subir 76% entre 1997 e 2005, e que entre 2003 e 2005 as mesmas diminuíram 13%.
Numa análise por cursos, o estudo aponta, entre os maiores aumentos de alunos admitidos, os cursos de Anatomia Patológica (+ 890%), Farmácia (+687%), Análises Clínicas (+643%), Radiologia (615%), Terapia da Fala (+610%) e Cardiopneumologia (+461%).
Numa comparação entre escolas públicas e privadas, o estudo revela que se é verdade que o ensino privado disponibiliza mais vagas no ensino das tecnologias da saúde, "o seu comportamento, no que ao aumento anual diz respeito, é acompanhado pelo ensino público".
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